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 Estou a tentar ignorar o que sinto e todos os sintomas porque sei que se tentar enfrentar os pensamentos intrusivos, estes podem levar a melhor de mim, como já aconteceu.

Mas a verdade é que a depressão voltou, já não tenho uma consulta de psicoterapia há meses porque os gastos estão a ser brutais e tenho tentado lidar com os meus fantasmas da melhor forma que consigo sozinha.

O facto de ter parado a medicação (por indicação do psiquiatra) durante o 1o trimestre e ainda ter estado sem a mesma durante 6 meses no ano passado ou seja, um total de 9 meses está a trazer me muitas consequências negativas. 

Já a gravidez em si tem sido difícil até agora, lidar com tudo o que vai acontecendo só está a deixar a minha saúde mental mais frágil e a verdade é que tenho um medo enorme de não conseguir controlar a minha saúde após o parto.

No 1o trimestre (sem medicação) acontecia algo bizarro, sempre que estava quase a adormecer eu começava a ter ataques de pânico, nunca consegui entender, eventualmente melhorei nesse aspecto, hoje em dia sou medicada tanto com estabilizador de humor como com antidepresivos e voltei a ter os ataques de pânico quando estou quase a adormecer.

Quando acontece acabo por ficar com medo de voltar para a cama até que eventualmente fico tão exausta que adormeço so de manhã, acabo por dormir o dia todo praticamente e por sua vez me deixa muito frustrada porque não me sinto capaz de ser minimamente produtiva.

Sinto me irritada constantemente e compro guerras com meio mundo. As hormonas da gravidez obviamente não ajudam no meu estado e há dias que simplesmente não saio da cama nem falo com ninguém porque tenho a noção que as palavras que vão sair da minha boca vão magoar pessoas que não conseguem entender o que se passa.

Hoje em dia estou a ser acompanhada pela psiquiatra da Maternidade que pelo que me foi dito tem experiência em tratamento de mulheres grávidas que têm transtorno bipolar, na primeira consulta explicou me a importância de não interromper o tratamento em caso algum e também as estatísticas do que aconteceram com mais de 90% das mulheres que o fizeram, todas acabaram por ter um episódio de psicose aguda e foram internadas.

Simplesmente não posso aceitar que isso me aconteça, e o facto de ter entrado numa depressão neste período só me deixa ainda mais preocupada, quero estar presente e saudável na vida do meu bebé desde a nascença até que a saúde me permita, desejei muito esta gravidez e nunca pensei que fosse um processo tão difícil.

Mas neste momento sinto me sem forças psicológica e fisicamente para me forçar a sair desta bola de neve.

Tenho um medo absurdo de um dia não me conseguir controlar e prejudique de alguma forma o desenvolvimento do bebé ou até que algo pior aconteça. 

A bipolaridade na maior parte dos casos é uma doença hereditária, feliz ou infelizmente tenho noção disso, obviamente que não quero que o meu filho passe por nada disto mas sendo uma possibilidade e se acontecer sei que posso desde cedo perceber alguns sintomas e tentar tratamento para que tenha uma vida mais normal possível, ainda assim é um pensamento que me deixa muito preocupada.

Tento escrever tudo o que me vai na cabeça nestes momentos porque se tiver que explicar porquê passei mal nunca vou conseguir em outra altura, o meu cérebro acaba por bloquear estas crises quando me sinto melhor e eu não me lembro, so consigo dizer "senti me mal" sem ser capaz de aprofundar um possível "porquê".

São quase 5h da manhã e sei que amanhã vai ser outro dia inútil para mim em que me vou sentir a pior pessoa do mundo porque o que não estou a descansar agora vai precisar do dobro de sono e descanso durante o dia, só me resta esperar que esta fase passe e rezar que não dure tanto tempo quanto costuma durar normalmente (que são semanas)...

A frase "estou a tentar o meu melhor" já se torna um cliché e hoje em dia sinto que já não é suficiente, "não te cobres tanto" outro cliché, mas como? Se a maior parte das mulheres durante a gravidez ainda conseguem ter vidas normais e eu não?

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