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Este diário virtual ja viu momentos de gratidão, momentos de raiva ou até ódio,  superação, tristeza, alegria...

O que aqui escrevo é o que me vai na alma, certo ou errado, mas é o que me pesa ou alivia, depende do ponto de vista, é público porque acho que a partilha de experiências pode ser enriquecedora, há sempre alguém que passa pelo mesmo mas não tem coragem de verbalizar ou exteriorizar de qualquer forma o que sente e eu sei como isso pode doer.

Confesso que não tenho motivos para me queixar de nada, estou a viver a vida que o ano passado tanto pedia, uns dias melhores outros mais complicados mas a vida é isto mesmo.

Acontece que por mais que esteja tudo bem, há dias em que é muito dificil controlar a imensidão de sentimentos e preocupações que nos invadem a mente. Uma pessoa normal lidaria de forma tranquila com isso, talvez se stressasse, mas não passava de um dia menos bom em que chegavam a conclusão que não podiam mudar os acontecimentos e amanhã era outro dia.

Infelizmente as vezes isso não acontece comigo, mais uma vez entrei numa espiral depressiva, que durante dias me fez ter muitos pensamentos intrusivos, extremamente negativos, mas infelizmente muito reais, até que perdi a noção e voltei a querer acabar com a minha vida, mas desta vez não era só com a minha vida, era também com a vida que estou a gerar.

Se hoje estou calmamente a falar sobre isso é porque tenho um homem que me ama muito, e é so e apenas a ele que devo este momento de reflexão.

E porquê tudo isso? Claro, porquê?

A gravidez é muita coisa na vida de uma mulher, cada uma vive esta fase de forma diferente então não da bem para comparar. É sempre um momento mágico quando é muito desejado, sem duvida. Mas é doloroso, fisica e psicológicamente e acima de tudo é um sitio muito solitário.

Por sorte a saude do bebé é boa e isso não é preocupação, mas a minha nem tanto e de repente damos por nós com as pessoas mais importantes da nossa vida a nem sequer fazer questão de saber como é que a mãe está, a questão é "e o bebé? Como está?" Ninguem pergunta "estas bem? Precisas de algo? Queres dar uma volta? Conseguiste comer hoje? Tens dormido?" 

E a verdade é que vamos ignorando, mas depois de 5 meses com sintomas pesados, sem medicação essencial, privação de sono, preocupações e fechada em casa, é impossivel estar psicológicamente bem, ninguém é de ferro mas esperam que sejas pois ao verem te triste dizem "Como podes estar triste? Vais ser mãe! Sabes o que é ser mãe?!" Palavras vindas de um progenitor que por sua vez tambem falhou ao longo da vida...

Ninguém consegue imaginar a gravidade da situação daquilo que aconteceu e no momento mais pesado daquela noite fatídica em que estava muito sedado pela medicação escrevi as palavras mais duras e mais honestas que senti naquele momento de desespero.

"Falar para que?

Um por um, todos têm uma crítica na ponta da língua.

Compreender? Ajudar? Ninguém tem tempo nem paciência.

Formigas ocupadas na sua vida, choram a perda quando é tarde demais.

Tenta desabafar, dizer o que sentes e a primeira coisa que vais ouvir é "eu sempre" ou " eu nunca" eu eu eu.

Ou então ha os moralistas, com vidas de merda que te querem dar conselhos de como deves viver a tua vida, como te deves sentir, o que devias fazer.

Somos todos robôs e ninguém me contou.

Não partilhes mais as tuas mágoas, ninguém quer ouvir"

Mas isto não é verdade, é apenas a dificuldade de nos fazermos entender, porque é dificil! Mas vai sempre haver alguém que vai tentar compreender mesmo que não seja a primeira, as vezes também não é facil para outra pessoa entender alguem que está a explicar algo no meio de um choro histérico.

Depois deste dia decidi que nunca mais ia esperar nada de NINGUÉM. Ninguém me deve nada e também não devo nada a ninguém, mas sou responsável por este ser que cresce dentro de mim e um dia vai olhar para mim e precisar de mim da mesma forma que eu olhei e precisei da pessoa que não me deu a mão, e não quero que a história se repita.

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