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Desde que soube que ia ser mãe, que o meu grande sonho finalmente iria se tornar realidade, senti que a minha vida estava a começar a mudar.
Começando por mim. Para já o meu corpo já não era só meu e isso foi brutal logo desde o início. A minha cabeça foi inundada de pensamentos que nunca tinha tido até então e senti me completamente perdida no meio do caos, houve dias em que não estava a conseguir lidar com tudo.
Sempre fui um espírito livre, meio doida, impulsiva, espontânea e talvez algo egoista, e adorava ser assim. As minhas prioridades eram completamente outras e era o que me preenchia.
Sempre busquei prazer através da minha imagem, do meu corpo, da minha sensualidade e agora grávida eu senti que tinha perdido isso tudo.
O meu corpo está a mudar a cada dia que passa.
Não posso desfrutar das coisas da vida que me davam prazer.
Deixei de me sentir bonita e atraente.
Cheguei a pensar que com um filho nunca mais ia voltar a ser a mesma.
Precisei de algum tempo para entender que por um lado estava certa, as minhas prioridades realmente não eram as corretas, questões triviais não eram importantes, por exemplo, sempre fiz questão de ter o meu closet, roupeiros enormes cheios de roupa que nem usava, acessórios que a minha pele nem suporta, sapatos intermináveis que mal usava..
E quando percebi isso não hesitei em desfazer me de tudo.
Mas também entendi que nunca vou deixar de ser mulher, independentemente da forma do meu corpo podia continuar a ter a minha vaidade, que depois de ter o meu filho/filha nos meus braços podia desfrutar de um copo de vinho, eventualmente voltaria a comer o que queria, que não ia deixar de fazer os meus passeios por causa de uma criança mas que talvez com o tempo vão se tornando momentos ainda mais especiais.
Sempre stressada com as mais pequenas coisas, as vezes continuo a faze lo, mas ter entendido que na vida tudo é temporário fez me perceber que a melhor coisa que posso adquirir é a paciência, se é facil? Não, nada facil, mas muito necessário.
E outra coisa que percebi neste meio tempo, é que as únicas pessoas da minha vida que realmente importam, são a familia que estou a construir, aqueles que sempre estiveram ao meu lado, no meu melhor e no meu pior, o resto é barulho.
Se vou conseguir pensar assim em todas as situações na vida? Certamente não, mas o princípio está lá.
E no dia em que vou poder olhar para o rosto deste ser que está a crescer em mim acredito que vou ver tudo de outras mil maneiras diferentes.
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